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- “Eu quero um quilo de Martha Rocha”, pedia um dos meus vizinhos no balcão da padaria do Sr. Manoel Lins d’Emery, o Seu Neco Emery. Eu ficava com água na boca vendo Seu Neco colocar na balança aquelas bolachas bonitas, redondas, grandes e apetitosas.
Naquelas manhãs da minha infância, Mamãe pedia para eu ir comprar apenas três pães do tipo “francês”, chamados popularmente de “pães aguados”, e dois do tipo “doce”. Esse era o nosso costumeiro café da manhã. E eu ficava imaginando que sabor teria aquelas bolachas bonitas, redondas, grandes e apetitosas. Como eu sonhava tomar um café da manhã com "Martha Rocha”!


Depois que conheci a famosa baiana Marta Rocha através das páginas da revista O CRUZEIRO, entendi o porquê do visual daquelas bolachas que se destacavam dos outros produtos da padaria do Seu Neco. Era uma homenagem à Miss Brasil que perdeu o título de Miss Universo 1954 por causa das lendárias duas polegadas a mais nos quadris.

Estive recentemente em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci. Passei na rua da minha infância e na esquina onde ficava a padaria agradeci a DEUS por ter dinheiro no bolso para comprar quilos e quilos de “Martha Rocha”. Mas como o Seu Neco Emery há muito tempo morreu e o estabelecimento comercial está desativado, o homem que sou consolou o menino carente que um dia fui e prosseguiu seu roteiro sentimental até a Igreja Matriz, tentando em vão decifrar os mistérios da vida e da morte.
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